Cajueiro, por Miguel Boieiro

Alguma vez tomaram cajuína? E feni, já o provaram? As explicações sobre estas bebidas ficam, por ora, a abeberar e a espicaçar a curiosidade dos leitores. Mais à frente esclarecerei!

O cajueiro é uma pequena árvore tropical que, por enquanto, não vegeta na Europa, mas o seu fruto seco, o caju, é por demais conhecido. Referira-se que o nome caju (planta frutífera) provém do idioma tupi que depois se transmitiu à língua portuguesa e daí ao inglês (cashew). No entanto, em francês denomina-se anacarde (coração invertido, do grego) O seu nome científico foi designado por Anacardium occidentale, espécie da família botânica das Anacardiaceae.

O cajueiro é comum nas regiões com climas quentes e húmidos. Sendo nativo no nordeste brasileiro, foi levado pelos Portugueses do século XVI para as suas colónias africanas e asiáticas. A árvore tem, à volta de 5 a 12 metros de altura, tronco tortuoso e ramificado e folhas ovais verde escuras. Avistei-a, pela primeira vez, em Goa, nos idos de 2005 e jamais me esqueço da observação de um querido amigo goês: – Os Portugueses trouxeram o caju do Brasil para a Índia e agora somos dos principais produtores e, em contrapartida, levaram o café daqui para o Brasil, país que se tornou o principal produtor de café. Mais tarde, em 2014, na visita a amigos esperantistas brasileiros, tive oportunidade de conhecer melhor esta típica árvore no estado do Piauí.

Já em 2021, por altura da Exposição Internacional realizada no Dubai, retirei do pavilhão da Costa do Marfim o elucidativo livrinho “Savourez le bon goût des Produits Derivés de L’Anacarde”, destinado a promover a comercialização da fileira do caju daquele país africano. São, quase todos, do referido documento, os dados informativos que a seguir se transmitem:

O caju é composto por duas partes: o pedúnculo floral, dilatado, em forma de coração com cor amarela, vermelha ou rosada que é um pseudofruto, e o fruto, propriamente dito, formado por uma pequena drupa acastanhada.

No tocante à primeira parte, temos um” fruto” (chamemos-lhe assim, só para simplificar) comestível, frágil, carnudo, doce e suculento que pode atingir 10 cm de comprimento. É riquíssimo em vitamina C (cinco vezes mais do que na laranja), cálcio e ferro. O seu abundante sumo, açucarado e ligeiramente perfumado, fermenta com muita rapidez o que dificulta a sua comercialização. Não obstante, ele é matéria-prima para bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes, compotas, vinagres e “cocktails” vários.

A cajuína constitui um suco delicioso inigualável, sendo o símbolo cultural de Teresina, capital do Piauí. É o resultado da clarificação, filtração, pasteurização e caramelização dos açúcares os quais fornecem uma tonalidade de âmbar a esta bebida refrescante destituída de aditivos químicos. Infelizmente a produção é escassa e pouco passa do nordeste brasileiro. Que pena! Por outro lado, o feni, que parece, só se fabricar em Goa, é obtido da cuidada fermentação do suco. Em 2005, as garrafas do feni mais divulgado em Goa estavam rotuladas com a designação “Salazar”. Provei-o, mas não gostei, ou porque fosse demasiado alcoólico ou, por me recordar o hediondo fascismo. Gostei bastante mais da cajuína.

São atribuídas ao pseudofruto fresco, ou como dizem na costa do Marfim, à “pomme de cajou”, várias propriedades terapêuticas: beneficia a visão, os ossos e o funcionamento cardiovascular, previne os cálculos renais, controla a diabetes, facilita a digestão e aumenta a imunidade.

Quanto à castanha de caju, cuja produção mundial excede anualmente as 4 milhões de toneladas, ela contém uma espécie de amêndoa rica em proteínas, fibras, magnésio, ferro, cobre, zinco, fósforo, potássio, vitaminas K, E, PP, e quase todas do complexo B (exceto a B12), ácidos gordos e hidratos de carbono. De notar que a castanha se divide, grosso modo, em quatro subprodutos: a casca exterior que serve como combustível, a resina corrosiva com diversas aplicações industriais, o tegumento que reveste a amêndoa, para rações de animais e a amêndoa ou noz que é, de longe, o subproduto de maior importância comercial.

Como se sabe, é essa amêndoa reniforme, crua ou torrada, que se encontra à venda em todo o mundo, detendo um valor nutricional elevado e proporcionando apreciados manjares “gourmets”. O livrinho que obtive acrescenta algumas receitas de aperitivos, saladas, sobremesas e pratos de resistência, de fazer crescer “água na boca”. De entre os maiores produtores (Brasil, Vietname, Filipinas, Indonésia, Guiné-Bissau, Índia), destaca-se atualmente a Costa do Marfim. Este país africano produziu em 1990 apenas 19 mil toneladas, mas em 2018, chegou às 715 mil, tornando-se o maior produtor mundial.

Acrescente-se que o caju, para além do seu valor proteico que nos regimes vegetarianos pode substituir vantajosamente a carne, contém um óleo insaturado que faz baixar o colesterol LDL. Tal óleo é também aconselhado para massagens, tratamento do couro cabeludo, queimaduras solares, confeção de shampoos e sabonetes.

Abril de 2022

Miguel Boieiro

Falecimento de António Cardoso

ANTÓNIO JOSÉ MONTEIRO CARDOSO, Sócio nº 29, nasceu em 2/12/1929 e desde muito jovem abraçou a causa do naturismo. Não há registos da data da sua filiação na Sociedade Portuguesa de Naturalogia. Sabe-se apenas que na década de 40 do passado século já exercia cargos diretivos na Sociedade.

Dedicou a sua vida a defender e praticar o vegetarianismo e a divulgar as leis da saúde natural. Prestigiou sempre a SPN através do seu exemplo de professor estudioso em várias áreas, partilhando generosamente os conhecimentos que foi adquirindo ao longo da vida.

Foi professor de mentalismo, numerologia, magnetismo, radiestesia e realismo fantástico, entre outras disciplinas que exerceu dentro e fora da instituição.

Organizou e coordenou durante várias décadas as célebres conferências dos sábados à tarde, convidando ilustres personalidades em todos os ramos do saber.

Foi Presidente da Assembleia Geral, presidente da Direção e exerceu variadíssimos cargos nos Corpos Gerentes da SPN.

Em 1912, ano do centenário da nossa instituição, publicou “A Sociedade Portuguesa de Naturalogia e o Naturismo em Portugal” que constitui um memorial único sobre a vida da Sociedade em tempos recuados, pormenorizando as suas dificuldades e vicissitudes, bem como os anseios e sonhos que nessas duras épocas se perfilavam.

António Cardoso é, sem dúvida, pelo prestígio que alcandorou, dentro e fora do País, uma referência perene da Sociedade Portuguesa de Naturalogia.

A Assembleia Geral da SPN, realizada em 11/03/2020, aprovou por unanimidade e aclamação a atribuição de Sócio Honorário a António José Monteiro Cardoso.

Sede encerrada/Atividades à distância

A sede encontra-se encerrada, devido à decretação do estado de emergência e como medida de contenção da propagação do vírus COVID-19.

 

Estão a ser disponibilizados aos sócios e convidados, atividades e serviços à distância, utilizando a plataforma Zoom.

 

  • 15 maio - Passeio Pedestre – Peninha/Alto do Monge (Sintra)